15 setembro, 2026
Geração de acidez através da Fixação Biológica de Nitrogênio
Quanto de acidez a fixação biológica da cultura da soja gera? E dentro do manejo da Ferticorreção, como fazer o controle da acidez com a utilização dos óxidos? Descubra no texto abaixo:
Geração de acidez através da Fixação Biológica de Nitrogênio
A soja (Glycine max) passou de uma cultura milenar no Leste Asiático a um dos pilares mais estratégicos do agronegócio global. Introduzida no Brasil no início do século XX e consolidada comercialmente a partir da década de 1970, a oleaginosa passou por um intenso processo de tropicalização viabilizado pela pesquisa agropecuária nacional. Esse avanço permitiu que o cultivo se expandisse da Região Sul para os cerrados do Centro-Oeste e, mais recentemente, para as fronteiras agrícolas do Matopiba e do Norte do país.
Na safra 25/26 no Brasil registrou uma produção expressiva na casa das 180 milhões de toneladas de grãos, consolidando o país como o maior produtor e exportador mundial da commodity. Esse volume injeta centenas de bilhões de reais na economia nacional, sustentando o Balanço Comercial e dinamizando toda a cadeia agrícola.
Contudo, para atingir e sustentar patamares elevados de produtividade, a lavoura exige demandas nutricionais rigorosas e a falta de nutrientes pode representar perdas na produtividade.
Demanda Nutricional: Extração vs. Exportação no Cultivo da Soja
A nutrição mineral equilibrada é indispensável para expressar o potencial produtivo da cultura. Para produzir altas tonelagens de grãos, a lavoura necessita extrair (quantidade total absorvida pela planta durante o ciclo) e exportar (quantidade efetivamente removida do sistema via grãos na colheita) grandes volumes de nutrientes.
A demanda de nutrientes pode variar conforme a cultivar, porém, a média de nutrientes por tonelada de grão produzida distribui-se da seguinte forma:
| Nutriente | Extração Total (kg/t de grão) | Exportação via Grão (kg/t de grão) | Papel Fisiológico Principal |
|---|---|---|---|
| Nitrogênio (N) | ~80,0 kg | ~60,0 kg | Constitucional (proteínas, enzima) |
| Fósforo (P) | ~15,0 kg | ~10,0 kg | Transferência de energia (ATP), raízes e reprodução |
| Potássio (K) | ~38,0 kg | ~20,0 kg | Regulação osmótica, turgor celular |
| Cálcio (Ca) | ~18,0 kg | ~3,0 kg | Estrutura da parede celular e sinalização metabólica |
| Magnésio (Mg) | ~10,0 kg | ~3,0 kg | Átomo central da clorofila e ativação enzimática |
| Enxofre (S) | ~10,0 kg | ~4,0 kg | Síntese de aminoácidos essenciais |
A relação entre extração e exportação mostra que, enquanto elementos como o Cálcio e o Magnésio permanecem em grande parte na palhada que retorna ao solo, nutrientes como o Nitrogênio e o Fósforo são massivamente removidos com a safra. Contudo, é necessário, no mínimo, a reposição de todos os elementos.
Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) e a acidificação do solo
O Nitrogênio é o elemento exigido em maior volume pela cultura da soja. A principal via de suprimento para essa demanda é a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), um processo de simbiose entre a planta e bactérias do gênero Bradyrhizobium.
Nessa relação, as bactérias alojadas nos nódulos radiculares convertem o N₂ atmosférico em formas amoniacais (
), assimiláveis pela planta. Apesar de ser um processo que descarta a utilização de fontes industrias, a FBN possui uma consequência química: a geração acidez.

O mecanismo químico da geração de acidez
Para manter a neutralidade elétrica interna durante a absorção do cátion amônio (
), a raiz do vegetal expele prótons (
) para a solução do solo.
Em média, para cada 100 kg de N fixado via FBN, são gerados aproximadamente
no solo.
Cálculo da acidez gerada em uma lavoura de alta produtividade
Para visualizar a magnitude desse fenômeno em escala operacional, considere o seguinte cenário agronômico:
- Produtividade esperada: 80 sacos/ha = 4,8 toneladas de grãos/ha
- Demanda de N: 80 kg de N por tonelada produzida → 4,8 X 80 = 384kg de N/ha
- Contribuição da FBN: 60% do total de N exigido → 384 x 0,60 = 230,4kg de N/ha fixados via FBN
A partir da quantidade de N fixado via FBN, calcula-se a acidez gerada na área:

Isso significa que, ao alcançar uma produtividade de 80 sacos/ha, a própria atividade biológica do cultivo lança na solução do solo uma carga equivalente a 16,13 kmol de
por hectare ao longo do ciclo.
Neutralização Eficiente: O Papel dos Óxidos de Cálcio e Magnésio
A acidez acumulada no solo reduz o
, aumenta a disponibilidade do alumínio tóxico (
) e diminui a saturação de bases, comprometendo o desenvolvimento radicular e a própria eficiência dos nódulos de Bradyrhizobium.
Para manter o ambiente radicular em condições ideais, o manejo da Ferticorreção indica aplicar corretivos de reação rápida e alta eficiência neutralizante, como os óxidos de cálcio (
) e magnésio (
).
Dissolução rápida do Óxido:
CaO + H₂O ──> Ca²⁺ + 2 OH⁻
MgO + H₂O ──> Mg²⁺ + 2 OH⁻
Calculo para neutralização da acidez com óxidos
- Produtividade: 80sc/ha
- Quantidade de H+ gerada: 16,13kmol H+
- PN óxido: 180
- Fórmula: Necessidade de produto =

NP=
NP= 450kg óxido
Vantagens do uso de Óxidos no manejo da acidez pós-FBN:
- Reatividade e Solubilidade Elevadas: Diferente dos carbonatos convencionais (calcário), que possuem taxa de dissolução lenta e dependem de umidade prolongada para reagir, os óxidos passam por um processo de calcinação que os torna altamente reativos, agindo rapidamente nas camadas superficiais e subsuperficiais.
- Fornecimento de Ca e Mg Solúveis: Além de neutralizar os prótons
, a reação libera diretamente na solução do solo os cátions
e
, suprindo a demanda nutricional. - Manejo de Precisão: Pela rápida solubilização, o uso de óxidos controla a acidez gerada no solo, evitando a perda de desempenho biológico da FBN e garantindo a sustentabilidade química do sistema produtivo ao longo das safras.
A alta produtividade da cultura da soja é sustentada por uma dinâmica biológica complexa. Como demonstrado, a própria Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) — indispensável para o suprimento do macronutriente mais exigido pela lavoura — carrega um custo químico inevitável: a acidificação progressiva da rizosfera pela liberação contínua de íons
.
Ignorar essa acidez gerada significa comprometer a química do solo ao longo do tempo, reduzindo a disponibilidade de nutrientes essenciais, limitando o crescimento radicular e inibindo a própria atividade das bactérias fixadoras de nitrogênio em safras subsequentes.
É nesse ponto que se consolida o manejo da ferticorreção. Mais do que simplesmente aplicar fertilizantes ou fazer correções pontuais, a Ferticorreção atua na integração perfeita entre neutralizar a acidez e nutrir com eficiência, mantendo o solo em equilíbrio. Tornando a lavoura mais eficiente e rentável.
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